Do alto de uma colina, no que costumava ser uma densa floresta no extremo norte do Brasil, imensos blocos de pedra fincados no chão apontam para o céu em círculo.

Parque Arqueológico do Solstício, o Stonehenge do Amapá
O Stonehenge do Amapá

O Stonehenge do Amapá, oficialmente batizado de Parque Arqueológico do Solstício, é um misterioso monumento megalítico e sítio arqueológico em Calçoene, município no norte do estado do Amapá.

Mas como esses imensos blocos de granito vieram parar aqui? Quem os posicionou assim? Quando? Pra que? Eram os deuses astronautas?


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A cidade de Calçoene, AP

Quando eu li sobre o ‘Stonehenge da Amazônia’ pela primeira vez, no Viramundo e Mundovirado, fui imediatamente acometida por uma vontade louca de conhecer esse lugar misterioso na cidade de Calçoene, na região de Oiapoque, norte do Amapá.

Embarquei em uma viagem de carro de mais de 4 horas (356km) de Macapá, capital do estado, a Calçoene.

Vista aérea de Calçoene, no Amapá
Vista aérea de Calçoene, no Amapá

O município de Calçoene faz limite ao norte e leste com o Oceano Atlântico, ao sul com os municípios de Amapá e Pracuúba, e a oeste com Oiapoque e Serra do Navio.


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Como visitar o Stonehenge do Amapá

Do centro de Calçoene até o lugar onde fica o Stonehenge Amazônico, é preciso enfrentar outros 20km de estrada de terra que, sem chuva, são ‘totalmente navegáveis’.

Acontece que dias secos são raros por aqui. Calçoene tem o título de cidade mais chuvosa do Brasil. Comparativamente, chove três vezes mais aqui do que em todo município de São Paulo.

Eu tive muita sorte e minha visita aconteceu em um dia com céu azulzinho de março, mesmo sendo período das chuvas (de janeiro a junho).

» Parque Arqueológico do Solstício

Apesar de ter sido decretado, oficialmente, um Parque Arqueológico em 2006, quando Mariana Petry Cabral e João Darcy de Moura Saldanha, pesquisadores do IEPA (Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá) começaram as escavações aqui, hoje em dia, o local não conta com uma estrutura oficial em funcionamento.

Isso não impede a visita. Uma curta caminhada separa o estacionamento improvisado do círculo de pedras no topo de uma colina.

Chegada no Stonehenge do Amapá
A chegada até o local do círculo de pedras

Logo de cara, o misterioso círculo de pedras surpreende. Com 30 metros de diâmetro, ele é composto por mais de 120 blocos de rochas talhadas fincadas no chão, algumas delas com até 4 metros de altura e 2 toneladas.

Pedras no Stonehenge do Amapá
Monólitos no Parque Arqueológico do Solstício

O lugar foi apelidado de ‘Stonehenge da Amazônia’ ou ‘Stonehenge do Amapá‘ em referência ao famoso Stonehenge na Inglaterra. E apesar de não ser tão grande quanto o ‘primo inglês’, ele ainda é muito importante para o estudo da arqueologia amazônica.

Stonehenge, na Inglaterra
Stonehenge, na Inglaterra | Foto: Dan Wechter via Unsplash

Estando lá, em meio às rochas gigantes, é inevitável pensar sobre o significado dessas estruturas. Em que época foram elaboradas? Por quem? São tantas as perguntas e tão poucas as respostas…


Já pensou em visitar o Stonehenge na Inglaterra?


Qual o significado das estruturas do Stonehenge do Amapá?

Há quem diga que o Stonehenge do Amapá foi construído há, no mínimo, 2.000 anos, assim como outros círculos de pedra semelhantes encontradas na vizinha Guiana Francesa.

Evidências apontam que sua principal função era servir como calendário e observatório astronômico.

A mais forte delas, foi a constatação de que um dos monólitos se alinha perfeitamente à trajetória do sol em um dia específico: o solstício de inverno (21 de dezembro), quando o astro rei está mais longe da Terra.

Monolítos no Stonehenge do Amapá
Monólito alinhados à trajetória do Sol durante Solstício

Nessa data específica, nenhuma sombra da rocha é projetada no chão, um alinhamento perfeito, consciente e que muito provavalmente foi construído assim para marcar o Solstício.

Parque Arqueológico do Solstício, o Stonehenge do Amapá
Monólito que marca o Solstício visto através de uma pedra furada

Olha pro céu, meu amor!

Não é de hoje o fascínio do homem pelo céu. Com a sedentarização de tribos indígenas e desenvolvimento da agricultura, o céu deixou de ser ‘apenas um mapa’ e passou a servir também como um calendário, baseado na observação de eventos astronômicos cíclicos.

Assim na terra como no céu.

É ainda mais interessante pensar que, depois da sedentarização, começaram a surgir os primeiros questionamentos sobre o que acontece depois da morte. Para onde vão os mortos? Foi neste momento que surgiram os primeiros cemitérios.

Stonehenge do Amapá
Monólitos no Stonehenge do Amapá

Com as necessidades básicas supridas com menos esforço, ‘sobrava tempo’ para pensar no sentido da vida, para criar rituais e cerimônias de preparação para o depois.

Pelas evidências arqueológicas encontradas aqui no Stonehenge do Amapá, este provavelmente era um local sagrado, utilizado para estas cerimônias.

Achados arqueológicos no Stonehenge Amazônico

Durante as escavações no Stonehenge do Amapá, foram encontradas urnas antropomórficas da fase Aristé (ou Cunani). Além das urnas, também foram encontrados pedaços de vasos que podem ter sido enterrados como oferendas.

Restos de cerâmicas Cunani no Parque Arqueológico do Solstício
Achados arqueológicos no Stonehenge do Amapá

A utilização desses artefatos cerâmicos como urnas funerárias é uma característica comum a vários povos amazônicos.


Visitamos um ateliê de cerâmica marajoara na Ilha do Marajó, onde dizem ter nascido essa tradição.


O mistério do Stonehenge do Amapá continua?

Apesar de evidências e hipóteses, os mistérios do Stonehenge Amazônico ainda não foram desvendados.

Há outras estruturas parecidas espalhadas por Calçoene e por todo o estado do Amapá, principalmente nas regiões de Amapá, Rio Jarí, Macapá, Mazagão e Rio Oiapoque. Mas ninguém sabe ao certo quem era seus construtores e porque parece não haver indícios de habitações próximas aos megalitos.

Quem eram essas tribos? Onde moravam? O mistério persiste…

O Stonehenge do Amapá
Monólitos no Stonehenge do Amapá, em Calçoene

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Leia também: 5 motivos para contratar seguro viagem no Brasil


Dicas práticas para conhecer o Parque Arqueológico do Solstício

Vista aérea do Stonehenge do Amapá
Vista aérea do Stonehenge do Amapá

» Como chegar lá? Quem leva?

A maneira mais fácil de chegar até o Stonehenge do Amapá é contrando um tour a partir de Macapá. Além de não ter que se preocupar com a logística de alugar um carro e dirigir por conta própria, ter um guia turístico é essencial para conseguir aproveitar ao máximo essa viagem.

Recomendo MUITO os serviços do Sandro, da Cunani Turismo. Além de ser filho da terra e saber tudo sobre o Amapá, ele é muito gente boa e tira altas fotos legais. Dica de ouro, hein?!

De carro até o Stonehenge do Amapá em Calçoene

Se você quiser fazer essa viagem de maneira independente, pode alugar um carro em Macapá e dirigir até Calçoene (460 km). A estrada (BR156) é totalmente asfaltada e bem tranquila.

Chegando lá, fale com o Walmir (96. 9904 0203).


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» Quantos dias?

Recomendo passar pelo menos uma noite em Calçoene. A viagem a partir de Macapá é longa e é muito arriscado fazer um bate-e-volta.

Existem algumas pousadas simples, mas com ar condicionado, chuveiro com água quente e frigobar. Eu me hospedei na Pousada Costa Atlântico (Rua Cassiano Germino, 101) por uma noite e não tive nenhum problema. A lanchonete na frente da pousada salvou a noite.


Leia também: O mistério do ovo em pé na Linha do Equador, em Macapá


Outros monumentos megalíticos pelo mundo

Acho incrível pensar como existem vários monumentos megalíticos espalhados pelo mundo e como eles têm similaridades curiosas entre eles, que mesmo sem evidência científica acaba conectando-os de certa forma e alimentando a nossa curiosidade.

Assim como já falamos do Stonehenge, na Inglaterra (em Wiltshire), o monumento megalítico mais famoso do mundo, provavelmente construído entre o ano 3000 a.C. e 2000 a.C., existem outros exemplos espalhados pela Europa e América Latina.

Fiz uma lista com alguns dos mais interessantes:

» Cromeleque dos Almendres, em Portugal

O Cromeleque dos Almendres, o maior círculo de menires (monuentos pré-históricos de pedra, ou estruturas megalíticas) da Península Ibérica, fica a 13km de Évora em Portugal e é cerca de 2.000 anos mais antigo que o Stonehenge inglês.

Há indícios de que o lugar tenha sido usado como observatório astronômico, além de local sagrado para rituais pagãos. Novamente ligando o céu e a astronomia ao desenvolvimento da espiritualidade.

Megalitos Cromlech de Almendres em Portugal
Foto: Dicklyon / CC BY-SA

» Rochas de Carnac, na França

As Rochas de Carnac, a cerca de 6km da Grande Plage, a estação balneária de Carnac, em Morbihan, na França, são um dos locais de maior densidade de agrupamentos megalíticos do mundo.

As pedras do complexo foram erguidas há milhares de anos (entre 5.000 e 3.000 anos a.C.) e seu significado ainda não foi decifrado.

As pedras de Carnac na França
Foto: Myrabella / Wikimedia Commons

» Puma Punku

Na América Latina, Puma Punku ou ‘Pedra do Puma’, localizada em Tiwanaku, na Bolívia é um importante conjunto megalítico e sítio arqueológicio, aparentemente construído entre 300 d.C. e 500 d.C.

As imensas rochas, com mais de 130 toneladas parecem ter sido transportadas até o local da construção, por mais de 10Km. Mas como?

Puma Punku na Bolívia
Foto: Brattarb / CC BY-SA

Seu formato em ‘H’ e outras formas geométricas também permanece um mistério. Como conseguiram fazer cortes tão precisos em rochas sem ferramentas específicas para isso? Eram os deuses astronautas?


Leia todas as dicas de viagem para a Bolívia


» Moais na Ilha de Páscoa

Por último, mas não menos interessante, é impossível não citar o conjunto de moais na mítica Ilha de Páscoa.

Ilha de Páscoa: um guia completo

A Gabi e o Emiliano passaram a lua de mel deles na Ilha e escreveram um guia maravilhoso e Rapa Nui com imagens de babar! Vale a pena conferir e sonhar!


Leia também: Guia de viagem para a Ilha de Páscoa


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Conheça o Stonehenge do Amapá em Calçoene, extremo norte do Brasil, oficialmente batizado de Parque Arqueológico do Solstício.


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