Marrocos – As gargantas de Todra e Dades

Saimos de Merzouga no fim da manhã, e depois de algumas horas pelas R702 e N10, estávamos em Tinghir para visitar a famosa garganta de Todra.

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Essa região, fronteira com o Saara é muito importante para a história do Marrocos. Rota de comércio de sal, ouro e escravos entre a África negra e o Marrocos fundiram as populações berberes locais, de modo que árabes, berberes, o povo do deserto, e os descendentes de antigas populações negras confundem-se em uma população com traços mistos nos pequenos vilarejos à beira das grandes estradas.

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Aliás, este também foi um ponto alto desta viagem: Poder seguir com a estrada, passando pelos pequenos vilarejos, e viver a importância das estradas, dos deslocamentos, dos caminhos, para um povo acostumado com mudanças e andanças…

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De Tinghir são mais ou menos 17 km até a garganta de Todra, passando por oásis em meio à áridos kasbah antigos. Um visual cinematográfico, de tirar o fôlego…

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A garganta de Todra é impressionante, cheia de gringos, souvenirs e ônibus de turismo. Fizemos apenas uma rápida parada para fotos, mas tem muita gente que passa dias por ali, escalando, ou mesmo fazendo as trilhas.

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O francês do meu pai foi extremamente importante quando, na volta, tivemos nosso segundo episódio de pneu furado. E foi ali, esperando o borracheiro dar um jeito no furo do pneu, em meio aos ‘hikers gringos’, marroquinos, berberes, árabes, que senti que o mundo é realmente uma pequena aldeia, e que aquele lugar poderia ser Minas Gerais, o Tibet, a África do Sul. Estamos todos conectados…

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De Tinghir, percorremos mais 70 Km até Boumalne Dades, onde passamos a noite. Dirigi sob uma tempestade de areia e água extremamente estressante, que me fez pensar que o clima do Marrocos não é brinquedo não.

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Nos hospedamos no peculiar Kasbah Tizzarouine, em um dos quartos chamados de Troglodyte, habitações típicas da região, em cavernas!

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Ao chegar em Boumalne Dades, nos assustamos com o frio e com o tempo ruim, morrendo de medo de pegar mau tempo durante a subida pelo Alto Atlas, porém o pessoal do hotel me garantiu que o tempo não estava tão ruim, e me lembrou que estávamos a 1.500 metros de altitude! A cidade é uma ótima base para visitas às gargantas de Todra e Dadès. São mileuma opções de hospedagem.

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O dia seguinte amanheceu claro, e depois de uma noite quentinha, graças ao aquecedor portátil do hotel, tomamos um café da manhã reforçado e fomos até a garganta de Dades. Novamente, 50km de uma estrada com um visual cinematográfico. Aliás, essa é uma das inúmeras qualidades do Marrocos, o visual!

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E pudemos finalmente dirigir nesta estrada. Eu estava ansiosa por isso desde o começo das minhas pesquisas.

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A garganta em si não é tão bonita quanto a Todra, mas vale o passeio. Recomendo 2 ou 3 dias na região, prá conseguir fazer as trilhas, e ver tudo com calma. Como nossa maior preocupação era conseguir atravessar a montanha antes de escurecer, não fizemos muitas paradas no caminho até Marrakech.

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Um detalhe muito interessante da região foi ver as ovelhas pastando nas encostas de pedra.

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Seguimos viagem rumo ao Alto Atlas sem muitas distrações, mas desta vez com algumas – como vou dizer – interrupções – sim, no plural! – da famosa ‘Gendarmie Royale’, a polícia marroquina. Na minha pesquisa, eu li muitos relatos sobre a abordagem destes policiais em estradas pelo Marrocos, mas como já havíamos rodado mais de 1.000 km sem nenhuma eventualidade, achei que o boato que os policiais não param mais turistas à pedido do rei, fosse verdadeiro, até sermos parados pela primeira vez um pouco antes de Ouarzazate, e pela segunda vez deixando a cidade.

O André Parente, do tempodeviajar escreveu um post muito bom sobre este assunto, imperdível prá quem vai se aventurar sozinho pelas estradas marroquinas. Resumindo, o mais importante é: Dirigir sempre dentro do limite de velocidade, respeitando 60 km/h nos arredores das cidades, e respeitar os pontos de STOP, onde os condutores devem parar e aguardar pelos policiais. Deve-se ficar atento primeiro à placa Ralentir (para diminuir a velocidade), e depois Halte, que significa parar exatamente ao lado da placa. O André explica tudo timtim por timtim no blog dele, leitura essencial na preparação de uma viagem como essa. Infelizmente, a maioria dos policiais quer dinheiro, e é bem possível que você acabe perdendo alguns Dirhams se for parado. É importante entregar logo ao policial os documentos do carro e a PID do motorista, e boa sorte! É tudo tão duvidoso que na segunda vez parados o policial pediu 300 Dhm, pegou o dinheiro, e depois devolveu. Ninguém entendeu nada!

À medida que nos aproximávamos montanha, as coisas começaram a ficar … BRANCAS !

Num primeiro momento era tudo: Olha que lindo esta montanha nevada, mas a coisa começou a ficar pesada, e o fantasma do Rif voltava a acenar, relembrando que desta vez poderia ser bem pior…

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De repente, Meu deus, da onde vem tanta neve?!

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Mesmo não esperando a mudança brusca na temperatura, e no visual, seguimos em frente, confiantes pelo sinal verde da fiscalização, e pela presença de outros carros, em ambos os sentidos. Depois de pneu furado no meio do nada, neblina intensa, tempestade de areia, e tempestade, neve era o que faltava prá deixar a aventura ainda mais… gelada!

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Finalmente, com paciência, e sem pressa, vencemos o Alto Atlas, e chegamos na caótica Marrakech, nosso destino final na aventura marroquina. Mas isso é assunto pro próximo e último post…

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Texto e Fotos: Alessandra Fratus


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Alessandra

ALESSANDRA é viajante, fotógrafa, e bióloga. Largou tudo e ganhou tudo ao mudar de rumo em 2012 depois de defender um doutorado em biologia molecular na USP. Desde então vive, viaja e trabalha com foto e vídeo, sua verdadeira vocação. Ama viajar fora do esquema turistão, e gosta mesmo é de paisagem humana!

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6 Comentários

  1. Angela disse:

    Maravilha de fotos, acompanhando curiosa e encantada cada post desta belíssima viagem … Paisagens de sonho …

  2. Carmem disse:

    Só aventura,hein?

  3. Mayte Scaravelli disse:

    Olá Alessandra, primeiramente parabéns pelo relato =D

    Estou programando uma viagem pro Marrocos em Janeiro de 2017 e queria saber se você em algum momento sentiu arriscado fazer o percurso de carro ( sem guia). Confesso que estou com medo, devido a sinalização, da neve no alto das montanhas, e um pouco de receio com a cultura muçulmana ( me desculpe, mas sei muito pouco sobre a cultura, estou começando minhas pesquisas agora).

    Pode me dar um luz, se acha que é tranquilo ou se vale a pena pegar um guia ?

    Na vrdd, vamos eu meu marido e meus pais fazer de Marraquesh a Fés de carro.

  4. Rodrigo disse:

    Olá Alessandra, passaram por Tizi n’Tichka, ou seja, pegaram a N9 de Quarzazate até Marrakech?
    Obrigado.