Chefchaouen, a cidade azul do Marrocos

A viagem de avião de Barcelona a Tânger, no norte do Marrocos durou 1 hora e meia e foi super tranquila. Ao passar pela imigração marroquina, ganhamos números de identificação, anotados pelo policial da imigração na última folha do passaporte. Este número é super importante e nos foi requisitado por todos os hotéis em que ficamos hospedados.

Pegamos o carro em Tânger e percorremos os 120 km até Chefchaouen, nosso primeiro destino da viagem de 10 dias de carro pelo Marrocos. Foram quase duas horas pela N2 (nacional 2), uma estrada muito bem conservada – com pedágio -, que foi nos revelando, aos pouquinhos, o que nos esperava nos próximos 10 dias cruzando as estradas do país.

Chefchaouen, a cidade azul do Marrocos


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Chefchaouen, a Cidade Azul do Marrocos

Chefchaouen, شفشاون, Chaouen, Chawen ou Xaouen é uma cidade localizada no coração das montanhas Rif, nordeste do Marrocos entre as os picos Tisouka (2050m) e Megou (1616m), que se erguem sobre a cidade como 2 chifres sobre a cidade, dai o nome Chefchaouen, que em bérbere significa ‘Olhe os chifres‘.

A História de Chefchaouen

Toda a região do Rif é considerada sagrada, e é um famoso local de peregrinação onde estão enterrados antigos profetas locais. A cidade foi fundada em 1471, por Moulay Ali Ben Rachid, seguidor de um desses profetas, que usou a aldeia como uma base contra ataques portugueses. Durante séculos, com a chegada de judeus e muçulmanos refugiados da reconquista cristã da Espanha, Chefchaouen se fechou completamente a estrangeiros, acolhendo apenas peregrinos.

O isolamento era tão forte, que quando os espanhóis chegaram em 1920 se surpreenderam ao encontrar judeus ainda falando uma língua que não se ouvia na Espanha há 400 anos.

Os Dias de Hoje

Nos dias de hoje, a cidade azul é um destino frequente entre os estrangeiros. É totalmente aberta aos turistas, mesmo mantendo viva a forte cultura Riffian, presente em todos os pequenos detalhes desta cidade encantadora…

É um ótimo lugar para passar 1 ou 2 dias, muito muito fotogênico, e uma deliciosa introdução ao Marrocos.

O Que Fazer em Chefchaouen

  1. Conhecer a medina de Chefchaouen
  2. Passear pela praça Uta El-Hamman
  3. Fotografar, fotografar, fotografar!
  4. Seguir até Ras El Ma

1. Conhecer a medina de Chefchaouen

A medina azul de Chefchaouen é, sem sombra de dúvidas, a grande atração da cidade, com suas casas, paredes, pisos e becos azuis.

Mas, por que azul?

Essa tradição foi iniciada em 1900. Azul é a cor sagrada do mar e do céu. O judaísmo reconhece o azul como um símbolo de Deus e as casas foram pintadas como um lembrete diário disso. Acredita-se também que a cor azul afaste os mosquitos.

Ao entrar por uma das cinco ‘portas’ da medina, somos inundados com cores e aromas deliciosos, uma verdadeira festa para os sentidos.

2. Passear pela praça Uta El-Hamman

A praça é um ponto central na cidade, com seus cafés, lojas de kebab, e souvenirs. É o lugar perfeito para desfrutar de um chá de menta no fim da tarde.

Nela encontra-se a mesquita Yamma el Kebir – do século XV -, que tem um minarete octogonal muito peculiar, no estilo andaluz.

Ao lado da mesquita está o Kasbah, com paredes laranjas, um grande pátio e um bonito jardim.

Chefchaouen, a cidade azul do Marrocos

No interior do kasbah existe uma cela de prisão, onde o líder nacionalista marroquino Abd el Krim ficou preso. Ele lutou com as tribos berbere do Rif contra a ocupação espanhola, e mais tarde contra o domínio francês. No Kasbah você pode visitar uma galeria de arte com trabalhos de artistas locais e um pequeno museu etnográfico. Ele abre diariamente até 18:30 (fecha das 13 às 15 horas), exceto terça-feira. Vale a entrada de 10dh (menos de 1 euro).

Mas a cereja do bolo é, sem sombra de dúvidas, a vista da torre. Vale a subida, ainda mais no fim do dia.

3. Fotografar, fotografar, fotografar!

A Medina de Chefchaouen não é imensa, então fica fácil pra ser explorada à pé, sem muita preocupação com mapas. Aproveitei o nascer do sol pra, sozinha, passear pela medina. Foi muito gostoso e tranquilo. Passear sem rumo pelas ruelas azuis, ao som da risada das crianças indo pra escola foi inesquecível!

Precauções?!

Li muitos relatos de turistas reclamando de falsos guias, ou de pessoas constantemente oferecendo o outro produto famoso da região, o ‘kif’- ‘felicidade’ em árabe – , ou como conhecemos, a cannabis marroquina, mas não tivemos problema nenhum. Acredito que com as frequentes visitas do rei do Marrocos à região, o assédio aos turistas destes ‘falsos guias’ tem sido bastante reprimido.

O Marrocos é o maior fornecedor de haxixe do mundo. Estima-se que até dois terços da população local da região das montanhas Rif dependam dele. Se essa é a sua praia, cuidado! Não se esqueça que a posse e o uso do kif é ilegal, e apesar do governo não fazer muita pressão contra o uso, turistas estrangeiros são sempre mais vulneráveis.

Chefchaouen também é famosa pelas jellabas de lã que são tecidas ali, e pelos tecidos listrados vermelhos e brancos usados pelas mulheres do Rif ocidental.

4. Seguir até Ras El Ma

Além da Medina, é possível acompanhar o rio el Kebir do lado de fora dos muros, chegando até a cachoeira Ras el Ma (cabeça da água), no lado leste da cidade.

Este é o local onde as mulheres fazem suas tarefas diárias de lavanderia. Mais ainda, a presença desta nascente subterrânea foi a grande razão pela qual Chefchaouen foi estabelecida ali.

E as vistas?!

Para assistir ao pôr-do-sol, a colina do Hotel Atlas é um bom ponto de vista sobre a cidade e o vale, mas…

… como um dos principais atrativos do nosso hotel, o charmoso Dar Zambra era um terraço lindo, com uma vista maravilhosa, resolvemos ver de lá mesmo o sol descer até sumir, queimando o céu. Tudo isso aproveitando um delicioso chá de menta, o famoso whisky berber.

Foi a primeira vez que ouvimos o chamado de oração, que sai dos amplificadores nas torres das mesquitas e ecoa pelo vale todo. Foi de arrepiar!

Onde Comer em Chefchaouen

Fomos jantar no Casa Aladdin, um dos mais aconchegantes restaurantes na cidade, com terraço de 2 andares e cardápio diversificado, que inclui crepe de chocolate de sobremesa, mas não serve bebida alcoólica.

A especialidade da culinária local é Baissara, uma sopa feita de favas, alho, suco de limão e azeite de oliva.

Experimentei o prato no delicioso restaurante Chez Dardara, que fica na pequena aldeia rural de Dardara, há 11 km de Chefchaouen – na junção da N2 para Al Hoceima e P28 para Ouezzane -. Olha só a vista!

O restaurante, que é também hotel, serve comida fresca e saudável feita com produtos da estação originados diariamente de uma cooperativa local de fazendeiros da região produtores de óleo de oliva e queijo de cabra. Está aberto todos os dias para não hóspedes.

Você vai encontrar muito tajine (ensopado de legumes com carne de cabra ou frango), harira (sopa de tomate), kofte (almôndegas), frango ao limão, e pães e azeitonas deliciosos! Toda essa região é muito conhecida por suas azeitonas e azeite de oliva, além do delicioso queijo de cabra, vendido em várias lojas locais.

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Outra boa sugestão é a loja Aladdin, subindo a rua Targui. É uma loja de dois andares cheia de óleos, sabonetes, temperos, cristais, maravilhosa!

É um paraíso, sabonetes artesanais, óleo de argan, e outras mil maravilhas feitas artesanalmente.

Outra dica mais prática, é que não dá pra entrar de carro na medina, então o que fizemos foi estacionar no Parador Hotel (20 Dhm/dia) e seguir até o hotel à pé. O que pode ser bem complicado com uma mala grande. A dica do estacionamento é pagar o guardador ao sair, evitando pagar duas vezes.

O Caminho para Fès, ou a Aventura de Atravessar as Montanhas Rif

Cometi um erro grave de planejamento nesta etapa da viagem, ao escolher a R419, através da borda oriental das montanhas de Rif.

Segui o conselho lido em um dos fóruns do Lonely Planet, de uma pessoas super experiente em viagens de carro pelo Marrocos, e acabamos demorando o dia inteiro para percorrer menos de 200km. A estrada estava sem condições, tivemos problemas com pneu furado, estepe em péssimas condições, mais o fato que estávamos no meio das montanhas sem saber nos comunicar em árabe.

Apesar da aventura, e de ter conhecido uma parte bastante peculiar do país, recomendo apenas as estradas principais, ou seja, N13, passando por Ouezzane (60 km de Chaouen), até Fès.


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Alessandra

ALESSANDRA é viajante, fotógrafa, e bióloga. Largou tudo e ganhou tudo ao mudar de rumo em 2012 depois de defender um doutorado em biologia molecular na USP. Desde então vive, viaja e trabalha com foto e vídeo, sua verdadeira vocação. Ama viajar fora do esquema turistão, e gosta mesmo é de paisagem humana!

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8 Comentários

  1. Carmem disse:

    Amando as aventuras e as fotos!

  2. Quando estudei em Granada, passei um fds no norte do Marrocos e adorei! Essa cidade é LINDA! http://taindopraonde.blogspot.com.br/2013/10/um-final-de-semana-no-norte-do-marrocos.html

  3. Ana disse:

    Boa tarde, Alessandra. Tudo bem? Muito interessante seu post. Estou indo ao Marrocos com meu esposo em setembro de 2016 e pretendemos passar dois dias em Chaouen. Tenho tido dificuldades de encontrar a melhor forma de ir de ônibus ou de trem de Tanger a Chaouen e de Chaouen a Marraqueche. Viagem muito longa e demorada, mesmo a distância em si não sendo tão longa… Você tem alguma sugestão ou alguma indicação de empresa? Agradeço desde já, Ana

    • Alessandra Alessandra disse:

      Oi Ana, tudo bem?! Obrigada pela visita. Fiz essa viagem de maneira independente, e de carro, que talvez seja a forma mais ‘prática’ de percorrer o Marrocos, uma rápida pesquisa no Google, ou mesmo no Tripadvisor vai te ajudar a escolher uma agência de viagem. No post principal, com o roteiro coloquei também algumas outras referências, que podem te ajudar! Boa viagem!

  4. Luciana Salem disse:

    Leio muito blogs de viagem, mas este seu texto é muito gostoso! Enxuto e objetive, parece um bate-papo; ;) Esta será minha terceira idade ao Marrocos – que amo! E a cada ida à Europa, dou um pulo em uma nova cidade do Marrocos. Me ajudou muito ler sobre Fès e Chefchouen ! E as fotos?!! Incríveis! Parabéns!

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