Bolívia – La Paz, Uma Explosão de Cores

LA PAZ é uma cidade única e reserva muitos encantos. Logo que descemos no aeroporto de El Alto, região metropolitana de La Paz, sentimos os efeitos de literalmente cair a mais 4.000 m de altitude, em plena cordilheira andina.

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Não é muito recomendável ir diretamente de avião para altitudes elevadas – o ideal é vir subindo lentamente e se aclimatando -, mas como já havíamos estado a altitudes semelhantes em outras oportunidades, sabíamos como nosso corpo reagiria e fizemos esta opção. Mas mesmo assim, não é nada agradável.

Em La Paz, a cultura está muito viva, em todas as partes. A arquitetura clássica espanhola se mistura com elementos indígenas de uma forma muito orgânica. As cenas mais comuns de se observar nas ruas são CHOLAS, mulheres nativas que se vestem com trajes tradicionais, que já são uma composição da mistura espanhola e indígena: diversas saias rodadas, xale sobre os ombros, cabelos pretos trançados e uma curiosa cartola sutilmente equilibrada a cabeça, carregando seus bebês ou mesmo gigantescos fardos de favas ou milho amarrados ao corpo em coloridos panos. O comércio de pães, frutas, carnes, milho e outros alimentos ocorre naturalmente a céu aberto, diretamente nas calçadas.

E falando em comida, os MENUS são a maior barbada para quem viaja na Bolívia! São super populares, baratos e em geral bem completos: entrada (na maioria das vezes uma sopa de legume com quinoa), segundo prato (uma carne ou frango cozidos), sobremesa e até refrigerante muitas vezes! Vale a pena provar! Ah, e lembrando aqueles que não gostam de coentro, esse tempero é definitivamente o mais usado na culinária boliviana, então se acostume!

La Paz está no meio dos Andes e claro, seu relevo é acidentado. Ladeiras intermináveis fazem parte da paisagem urbana, e uma simples caminhada para conhecer a cidade pode ser realmente cansativo. Reservamos um dia para “bater perna” pela área central, o que foi pouco, mas deu para sentir o gostinho do cotidiano paceño.

Iniciamos nossa caminhada na PLAZZA MURILLO, centro político do país, onde se localiza o Palácio Presidencial, e passamos pela IGLESIA SAN FRANCISCO.

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Não deixe de visitar também o MIRADOR KILI KILI, que apesar da caminhada sofrível, garante uma incrível vista e uma boa noção da geografia da cidade.

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O trânsito é um dos aspectos mais curiosos de La Paz. Completamente caótico, mas não pouco divertido, não há como não notá-lo!

Os ônibus antigos conferem um ar vintage à cidade, mas convencionadamente param em qualquer lugar para embarque e desembarque dos passageiros, o que pode tornar o trânsito ainda mais confuso. Muito cuidado ao tentar atravessar as ruas, especialmente em rotatórias, onde tudo fica mais complicado.

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Um dos pontos altos da visita a La Paz, é sem dúvida, uma caminhada sem pressa pelo MERCADO DE LAS BRUJAS, onde é possível ver, tocar e comprar qualquer artesanato boliviano, há apenas algumas quadras da CALLE LINARES. É lindo apreciar as pilhas de tecido colorido com ornamentos indígenas, ESTATUETAS TIWANAKU por todas as bancas, adornos em prata e pedras semi-preciosas e uma infinidade de blusões, cachecóis, gorros, luvas e meias, feitos com lã de lhama ou alpaca. Entre os artigos mais inusitados, é possível encontrar fetos de lhamas mumificados! Aproveite esse local vivo e colorido para fazer compra únicas, com preços bastante convidativos!

Fora dos guias de turismo, durante nossa caminhada, encontramos uma rua bastante freqüentada pelos locais, a CALLE MARIANO GRANEROS. Nela é possível encontrar de tudo, especialmente roupas. A experiência antropológica é incrível! Se tiver com um tempinho livre, recomendo!

Para explorar um pouco a rica cultura boliviana, vale muito a pena destinar pelo menos uma tarde à CALLE JAEN, onde as bem conservadas construções históricas em estilo colonial abrigam uma série de museus baratos. Nós visitamos apenas o MUSEO DE METALES, o que foi bem legal pois pudemos ver muitos artefatos indígenas feitos com metais e pedras semi-preciosas.

Fora de La Paz, há também passeios imperdíveis! Entre os mais procurados estão: Downhill para COROICO, TIWANAKU, CHACALTAYA e VALLE DE LA LUNA.

Não tivemos oportunidade de experimentar o downhill, famoso por começar a 4.650 m de altitude e terminar a 1.200 m, descendo por uma das estradas mais perigosas do mundo – Estrada da Morte – e por cruzar diversas paisagens extremas, desde picos nevados à floresta amazônica boliviana.

Agora, TIWANAKU é definitivamente ponto obrigatório para quem visita a Bolívia!

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Declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde os anos 2000, o sítio arqueológico, ainda em escavação, representa a capital do poderoso IMPÉRIO PRÉ-INCA, que teve seu apogeu entre 500 e 900 d.C e se estendeu do sul do Peru ao Norte do Chile. Na cultura tiwanaku são características as construções megalíticas e sua cerâmica autêntica que influenciaram diversos povos andinos.

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Da gigantesca escavação arqueológica, são reveladas aos nossos olhos preciosidades da história ainda tão misteriosa dos povos pré-colombianos. São monólitos, portais, complexos sistemas de drenagem de água, e a própria pirâmide, que ainda não foi totalmente removida de debaixo do solo. Nos muros de pedras milimetricamente cortadas surgem rostos entalhados nas rochas, que nos fazem mergulhar num universo de história e magia.

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A PORTA DO SOL, uma das principais atrações, é uma incrível construção megalítica que exibe a imagem do Rei Sol – Viracocha. Apesar de estar danificada devido aos frequentes terremotos da região, nos mostra a imponência desta civilização.

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Ela foi construída em uma rocha única e os estudiosos acreditam que era parte atuante do calendário astronômico tiwanaku. No entanto, atualmente não está no local original e não desempenha mais esta função.

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A cidade de TIWANAKU, bem próxima ao Lago Titicaca, foi tão influente no passado que suas marcas podem ser vistas até hoje. Com frequência, são observados rituais indígenas nas proximidades dos templos, e com um pouco de sorte e muito respeito, o visitante pode admirar as roupas típicas, música e comidas tradicionais, como a infinidade de tipos de batatas e milhos – a base da alimentação andina.

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Para se chegar a Tiwanaku, a maneira mais fácil é contratar um tour com agência de viagem, já que a entrada no sítio é obrigatória com guia. Os passeios com as agências normalmente partem cedo de La Paz e incluem a entrada no parque e a visita ao pequeno museu, riquíssimo em artefatos arqueológicos encontrados durante as escavações, além de um almoço típico, em um restaurante rústico.

O outro passeio imperdível para quem está em La Paz é subir ao MONTE CHACALTAYA. Cerca de 30 km da cidade, e a 5.420 m de altitude, este pico da Cordilheira dos Andes abriga uma estação de esqui desativada, justamente pela escassez de neve para prática do esporte.

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Para chegar ao Chacaltaya também recorremos a uma agência de turismo, que apenas serviu como transporte até os mais de 5.000 m de altitude. A van nos deixa em um determinado ponto e então, precisamos fazer uma pequena caminhada até o mirante, que foi suficiente para acabar com todo o ar que havia em meu pulmão! No entanto, de lá é possível ter uma visão magnífica do imponente HUAYNA POTOSÍ, outro pico nevado que ultrapassa os 6.000 m, e por onde muitos escaladores também se aventuram.

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As camadas de cinzas vulcânicas contrastam com o branco da neve e o colorido dos pequenos lagos, ricos em elementos químicos tóxicos e transformam aquele cenário numa profusão de cores. Em dias claros, também é possível avistar o Lago Titicaca no horizonte.

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Normalmente, as agências de turismo conciliam o passeio ao Monte Chacaltaya ao VALLE DE LA LUNA.

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Esse pitoreco parque, na zona sul da cidade de La Paz, recebe o nome devido às formações rochosas que remetem a uma paisagem lunar.

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É curioso andar pelo labirinto originado pela erosão destas rochas que exibem feições geológicas extraordinárias. O passeio foi muito agradável e durou cerca de uma hora, com direito a música AYMARA tocada por nativo tipicamente trajado. Até a tímida viscacha, uma espécie de chinchila dos Andes, resolveu aparecer, deixando o lugar mais especial.

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Texto: Gabriella Fontaneta | Fotos: Emiliano de Oliveira Castro

E assim – entre cores, aromas, sons e saudades – encerramos nosso mergulho antropológico a incrível cidade de La Paz.

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Gabriella Fontaneta

Gabriella é nascida no litoral paulista, tem 28 anos e é geóloga. Gosta de paisagens pitorescas e também de vivenciar a cultura de povos diferentes.

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