Explorando o Salar do Uyuni

Este post é muito especial pro tôpensandoemviajar porque é a estréia de uma nova parceria!

O texto e fotos deste post são da nova colaboradora do blog, a Gabriella Fontaneta! A Gabi faz um monte de viagens incríveis, e também adora escrever sobre elas!

Localizado no sul da BOLÍVIA, em uma das regiões mais remotas do planeta, o SALAR DO UYUNI é um dos raros lugares que seguem intocados.

A maior PLANÍCIE DE SAL DO MUNDO, conta com quase 12 mil km2 de halita (vulgo cloreto de sódio ou sal de cozinha) em uma altitude média de 3800 metros acima do nível do mar, no altiplano boliviano.

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Mas esta imensidão branca reserva muitas outras cores aos viajantes que se aventuram pela região. Para se chegar ao Salar do Uyuni, há duas maneiras usuais:

Uma delas é indo pela própria BOLÍVIA. Normalmente, os viajantes que procuram este caminho vão de La Paz para Uyuni de ônibus (não espere conforto) e de lá podem arranjar um tour em um veículo 4×4 que os leve até o Salar. A outra maneira é chegar pelo CHILE. O ponto de apoio para a viagem pelo lado chileno é a pitoresca cidade de San Pedro do Atacama. San Pedro por si só já vale uma viagem, e é comum unir os dois destinos: Deserto do Atacama e Salar do Uyuni.

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De qualquer forma, o TOUR COM 4×4 é a melhor maneira de explorar a região. Como não há estradas bem marcadas por todo o percurso, se aventurar com o próprio carro ou moto é a maior furada. Até porque, no Salar propriamente dito, não há nada além da imensidão branca… e engana-se quem pensa que é muito sólida!!! Na verdade, a imensa planície de sal é uma crosta sobre um lago. Há porções onde esta crosta é mais espessa, enquanto outras, são realmente delgadas! Um passo em falso, e você pode inclusive estar arriscando sua vida. Não são raros os relatos de aventureiros, especialmente jipeiros, que querem conhecer a região com seus próprios veículos, mas por não saberem o caminho das pedras (ops, do sal, rs) acabam perdendo a vida. Mas, sem drama! Recorrendo a uma AGÊNCIA DE TURISMO (sim, sem calafrios, é a melhor forma), você pode optar por um tour de 3 ou 4 dias. O tour de 3 dias, inicia-se em San Pedro do Atacama e termina em Uyuni, na Bolívia, ou vice-versa. E o de 4 dias começa e termina na mesma cidade.

Nós fizemos o tour de 4 dias partindo de San Pedro. Em geral, as agências cobram um valor que inclui as acomodações e refeições de todos os dias, além do deslocamento, é claro, em um 4×4. Os preços podem variar um pouco, mas em geral, é considerado um passeio barato.

Sobre o itinerário do tour: partindo de San Pedro, no primeiro dia a agência te leva de ônibus até a aduana boliviana, onde são realizados os procedimentos de entrada no país: revista de bagagem (não houve real fiscalização), carimbo de passaporte e pagamento de uma taxa de ingresso (!). Depois de liberados, é a hora da escolha do veículo e do motorista!

Vamos falar então das condições dos veículos. Não espere luxo ou glamour! Em geral são velhas Land Cruisers vindas do Japão, apenas com a direção convertida na Bolívia (sim, eles fazem uma bela gambiarra para tirar o volante do lado direito, como se usa no Japão, e passar para o lado esquerdo). Os motoristas são bolivianos das proximidades, que é a região mais desprovida da Bolívia, e em geral não são exímios choferes.

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Há muitos relatos de viajantes que passaram maus bocados devido a motoristas “barbeiros”. Nós mesmos conhecemos alguns brasileiros que haviam capotado (!) durante o passeio. Calma, calma, sem tensão! Aqui vale uma dica: ao chegar na aduana boliviana, após os procedimentos de imigração, os carros estarão chegando do passeio, trazendo os turistas que estão finalizando o tour. Converse com eles, e aceite uma indicação de bom motorista, ou daquele que não pegar! Fizemos isso, e não nos arrependemos! Fomos guiados por um cara muito gente boa, super disponível para parar onde queríamos e tirar quantas fotos queríamos! Sem imprevistos automotivos, seguimos nosso passeio em paz.

As paisagens do primeiro dia são de tirar o fôlego! Logo a primeira parada é na belíssima LAGUNA BLANCA, cercada por vulcões.

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E bem próximo dela, encontra-se a exuberante LAGUNA VERDE, cujas águas turquesas contrastando com as rochas brancas ao redor e o imponente vulcão Licancabur ao fundo, formam um cenário mágico.

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Mas não se engane com a linda coloração de sua água! Ela é proveniente do tóxico e letal elemento químico Arsênico! Então, nada de chegar perto!

O tour segue enchendo os olhos com as cores do deserto! É incrível como nossos sentidos são capazes de distinguir entre tantos tons de amarelo, laranja e marrom! O cenário montanhoso e vulcânico, revela tantas outras pequenas lagoas, todas únicas e com seu charme.

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Depois de muito sacolejar no carro, chega-se ao primeiro alojamento, nas proximidades da LAGUNA COLORADA. Mais uma vez, não espere muito do local. É uma simples hospedaria, sem água quente, e com banheiros precaríssimos (leia-se: nada de banho e nada de papel higiênico). Siga as dicas preciosas do “Manual de Sobrevivência”. Ah, e lembre-se o abrigo fica a 4900 m de altitude! Normalmente, brasileiros ficam indispostos a esta altitude, então, vale a pena levar um kit de primeiros socorros com remedinhos para dor de cabeça!

Você pode conhecer a Laguna Colorada depois de uma breve caminhada do alojamento ao mirante. Apesar de curta, deve ser feita com muita cautela devido a altitude e também ao vento e frio. É, o vento é realmente forte, então vale qualquer coisa para se proteger! No meu caso, enrolei o rosto no cachecol, deixando apenas os olhinhos de fora! Quanto à forma de se vestir e se proteger, leia o “Manual de Sobrevivência”.

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As refeições, de todos os dias, são muito simples, e também não se pode esperar outra coisa. Nesta altitude, não há como ingerir coisas muito pesadas, fora a precariedade do próprio local. Então, acostume-se com macarrão com salsicha, ovo cozido e sopas! Aliás, as sopas eu achei uma delícia! Sempre com quinoa, que hoje está em alta nas dietas, e que é muito nutritiva, além da hidratação da própria água (fervidinha, ainda bem!).

HIDRATAÇÃO é outro ponto fundamental, que também foi tratado no “Manual de Sobrevivência”. Não se esqueça que estamos num deserto, portanto, leve pelo menos um galão de 5L de água por pessoa para o passeio! Não há onde comprar água durante todo o percurso! Lembrando, esta é uma das regiões mais remotas do planeta! Não espere uma banquinha vendendo água no meio do deserto.

O segundo dia é destinado ao deslocamento até uma pequena vila já na borda do Salar propriamente dito. Não menos belo, o segundo dia nos brinda com paisagens únicas, como o DESERTO DE SALVADOR DALÍ, que ganhou seu nome devido às formações rochosas se assemelharem as pintadas pelo artista espanhol.

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Muitas lagoas…

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E pequenos oasis no deserto, ao redor de singelos cursos d’água.

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Além disso, tivemos muitas surpresas pelo caminho: minúsculas vilas, com suas portinhas decoradas…

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E os típicos camelídeos andinos: lhamas e alpacas.

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As acomodações do segundo dia parecem um hotel 5 estrelas se comparadas as do primeiro! Temos então, banho de água quente!! Apenas 5 minutos por pessoa! Mas é realmente maravilhoso depois de um dia sem banho! As camas são melhores, mas igualmente ao anterior, dormi com meus lençóis bem colocados sobre os que já estavam (eternamente) nas camas, e coloquei por cima todos os cobertores possíveis para aquecer do frio de -10ºC e nenhuma calefação!

Um adendo sobre o CLIMA: a temperatura da região é sempre baixa, controlada pela elevada altitude. Mesmo no verão, as temperaturas são negativas, mesmo durante o dia. Por ser um deserto, é extremamente seco. Então, vale algumas dicas de hidratação (como já falei acima), pois mesmo sem sentir sede, precisamos nos controlar para estar sempre bebendo água, escolher as roupas certas e também se proteger do sol muito forte nesta altitude (protetor solar, óculos escuros, mangas compridas) e contra o ressecamento (hidratante corporal e labial). Veja as dicas no “Manual de Sobrevivência”.

O terceiro dia é o tão esperado dia de conhecer o SALAR DO UYUNI. Após o simples café da manhã, partimos em nosso 4×4. Como fomos em janeiro, tivemos a sorte de pegar a época do degelo da neve dos picos ao redor, e então a formação do incrível espelho d’água na borda do Salar.

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Em geral, essa época não é recomendada para a visitação, porque pode resultar em um alagamento tão grande, que impossibilita a entrada dos veículos. No entanto, demos uma tremenda sorte, e conseguimos adentrar na planície, sem problemas, e de quebra, nos perdemos naquela brincadeira óptica, de onde começa e termina o horizonte.

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De qualquer maneira, alagado ou seco, o Salar do Uyuni é incrível… os carros percorrem até uma “ilha” no meio do sal, chamada Isla del Pescado.

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Os imponentes cactos com dezenas de metros de altura nos recepcionam de forma divertida. Pode-se percorrer a minúscula ilha e admirar a vastidão branca a perder de vista…. montanhas e vulcões ao redor, o céu azul, sem uma gota de umidade… é realmente indescritível.

São famosas as fotos de viajantes brincando com a ilusão de óptica que o chão todo branco proporciona, então aproveite para deixar rolar a criatividade!

A última parada do terceiro dia é na própria cidadezinha de UYUNI. Lá muitos viajantes encerram seu tour e seguem para a Bolívia. Nós optamos em voltar para San Pedro, então aproveitamos para experimentar a famosa cerveja Paceña, diversas vezes premiada como melhor cerveja do mundo.

O último dia é destinado ao retorno a SAN PEDRO apenas. A saída é ainda de madrugada, e poucas paradas são feitas pela manhã, como os banhos termais e os geysers de lama. Eu não tive coragem de tirar a roupa naquela friaca para entrar nos poços de água quente, mas tem quem se aventure!

De volta à aduana boliviana, os mesmos procedimentos para a saída do país. O ônibus da empresa de turismo, que já trazia novos viajantes para o tour, nos levou de volta a San Pedro, onde mais alguns trâmites de imigração (agora sim, fiscalização mais rígida) e estávamos de volta a San Pedro para continuar nossa viagem agora pelos Deserto do Atacama.

**DICA: Leve uma MOCHILA PEQUENA, com apenas o necessário para os 4 dias, caso você opte em fazer o passeio retornando para a mesma cidade. Você pode deixar sua mochila cargueira em San Padro (é super comum os viajantes fazerem isso) e levar uma mochila menor. Isso facilita bastante na hora de carregar e descarregar todos os dias as coisas de cima do carro (as mochilas vão amarradas, com uma lona ao redor, espere por bastante poeira). Malas de rodinha são a maior furada neste tipo de viagem!

Já falei da ÁGUA acima, mas não custa reforçar: LEVE TODA A ÁGUA QUE IRÁ CONSUMIR EM 4 dias, não há onde comprar. E quanto a alimentação, vale levar seus próprios snacks, já que gastronomia não é o ponto alto do tour! Leve frutas (bem escondidinhas na mala), chocolates e barrinhas de ceral. Vão quebrar o maior galho!

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Textos: Gabriella Fontaneta | Fotos: Emiliano Castro de Oliveira

 

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Gabriella Fontaneta

Gabriella é nascida no litoral paulista, tem 28 anos e é geóloga. Gosta de paisagens pitorescas e também de vivenciar a cultura de povos diferentes.

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5 Comentários

  1. Débora de Moraes disse:

    Gabi, que lindo.Que orgulho de ter uma sobrinha tão antenada e inteligente. Parabéns! Lindas fotos! bjos

  2. Ivanira disse:

    Gabi, adorei você é demais. bjs

  3. Gabriella Fontaneta disse:

    Obrigada tia Débora e tia Ivanira!! Esse blog me deu muita inspiração para escrever! Aguardem! ;)

  4. jorge santos disse:

    Olá Gabriella, adorei o post. Gostaria de saber com qual agencia você fechou seu passeio ao Salar. Vou agora em Julho e estou empolgadíssimo. Obrigado.

    • Gabriella disse:

      Oi Jorge, tudo bem?
      Nós fomos para o Uyuni em janeiro de 2009. Na época, a escolhemos a Colque Tour, que era uma agência muito bem recomendada em outros sites e blogs de viagem. A Colque era uma das poucas agências que tinha os alojamentos já pré-estabelecidos, ao longo do trajeto. As demais deixam o motorista bem independente e vão parando nas pequenas vilas, conforme o deslocamento do dia. A Colque também possui os pontos de apoio para as refeições, sempre muuuuuito simples, tanto os lugares como as refeições. Nas outras agências, o motorista é responsável por cozinhar, e isso é feito ao longo do caminho e não em “restaurantes” (por assim dizer), como a Colque. Me recordo que pagamos cerca de 125 dólares pelo passeio de 4 dias, incluindo as refeições, transporte e alojamento.
      Se tiver mais alguma dúvida, não hesite em escrever! ;)