Fora de Foco | Foto 17

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Fora de Foco | Foto 17

Cruzeiro do Sul, Acre, abril de 2016

A vida é sonho, e a 17a foto da série Fora de Foco volta ao Acre, dessa vez para navegar pelas veias abertas da Amazônia brasileira. Ô sorte! E falar um pouquinho sobre fotografia e sobre a velocidade do obturador.

A noite caiu enquanto rasgávamos as águas de um dos rios da região de Cruzeiro do Sul, noroeste do Acre. Até o barqueiro experiente parecia tenso. São muitos os perigos ao se arriscar pelos rios na escuridão. Voávamos por uma cena sem igual e durante um sonhar com os olhos abertos, resolvi fotografar aquele ‘rio de luz’ formado pelas cores e contrastes da hora mágica usando baixas velocidades do obturador da minha câmera.

velocidade do obturador

A velocidade do obturador define por quanto tempo o sensor da câmera digital ou filme na câmera analógica vai receber luz. O obturador abre e fecha e sua velocidade pode variar desde frações de segundo (1/80s, 1/200s) até longas exposições de minutos e até horas.

Baixas velocidades do obturador permitem a entrada por mais tempo de luz mas ‘desestabilizam’ a imagem. Logo pensei: O que melhor se encaixa em sonho que ‘desestabilização‘?! Não tive dúvidas e nem sequer montei meu tripé. Usei o balanço do barco pra compor o meu sonho. A minha realidade. Se eu fechasse os olhos, poderia sentir essa imagem em mim. O resultado foi esse. Um sonho real. O que é sonho? O que é real?

Gosto muito dessa foto. Ela me faz sentir o invisível, o quê existe por aqui e não enxergamos no nosso dia-a-dia engessado. E você, o que acha?! Abra seus olhos! :)!

dupla exposição

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Por que Fora de Foco?!

O nome Fora de Foco é uma referência a autobiografia do fotógrafo Robert Capa, ‘Ligeiramente Fora de Foco‘. Capa é muito conhecido por seu trabalho como fotógrafo de guerra e é o autor da frase ‘Se sua foto não está boa, é porque você não está perto o suficiente‘, uma grande influência no modo como fotografo.

Ele descrevia suas imagens de guerra como “ligeiramente fora de foco, e um pouco sub-expostas” e assim como a própria guerra, as imagens de um bom fotógrafo têm que ser capazes de transmitir sensações. Medo, angústia, tensão. É isso! A fotografia tem essa incrível capacidade de transmitir sensações e sentimentos através de uma única imagem.

É o que faz da fotografia uma das mais fantásticas formas de expressão artística. Você não acha?!

velocidades do obturador


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Alessandra Fratus

Viajante, fotógrafa e bióloga. Largou tudo e ganhou tudo ao mudar de rumo em 2012 depois de defender um doutorado em biologia molecular na USP. Desde então vive, viaja e trabalha com foto e vídeo, sua verdadeira vocação. Ama viajar fora do esquema turistão e gosta mesmo é de paisagem humana!

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