Fora de Foco | Foto 14

Fora de Foco | Foto 14

Nyaung Swhe, Myanmar, abril de 2015

Quando pisei no mercado de Nyaung Swhe senti na hora que aquele era um lugar especial. Mesmo depois de 4 dias em Myanmar era impossível me acostumar com a simpatia, delicadeza das pessoas.

Gosto muito de mercados. Gosto mais de retratos. Gosto muito de olhar de perto para o outro e fotografá-lo. Apesar disso ser problema pra muitos, que não conseguem vencer aquela barreira que temos entre um e outro, o fato de fazer contato com um desconhecido e de pedir a permissão pra fotografá-lo é algo que me interessa muito e me ensina muito.

retratos durante as viagens

Me aproximei dessa senhora, que vendia charutos na feira já com a câmera preparada. Com um sorriso pedi permissão para fotografá-la e ela me pediu um segundo, ou minuto – perdoem-me a falta de detalhes, mas de birmanês só arrisco um Mingalabar! -, virou-se pra lado e pegou o charuto.

Quando ela me olhou de novo, seu olhar atravessou a lente, o visor, o sensor, a câmera, o olho e me atingiu em cheio. Não consegui conter as lágrimas. São momentos como esse que fazem essa minha busca por esse ‘eu diferente’ valer a pena. É a fração de segundo que atravessa fronteiras, barreiras. É a identificação que procuro. É isso.

Sorrir é pedir permissão pra entrar no Universo do outro. Abra seu coração e voe!!

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azul do Lago de Garda


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Por que Fora de Foco?!

O nome Fora de Foco é uma referência a autobiografia do fotógrafo Robert Capa, ‘Ligeiramente Fora de Foco‘. Capa é muito conhecido por seu trabalho como fotógrafo de guerra e é o autor da frase ‘Se sua foto não está boa, é porque você não está perto o suficiente‘, uma grande influência no modo como fotografo.

Ele descrevia suas imagens de guerra como “ligeiramente fora de foco, e um pouco sub-expostas” e assim como a própria guerra, as imagens de um bom fotógrafo têm que ser capazes de transmitir sensações. Medo, angústia, tensão. É isso! A fotografia tem essa incrível capacidade de transmitir sensações e sentimentos através de uma única imagem.

É o que faz da fotografia uma das mais fantásticas formas de expressão artística. Você não acha?!


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Alessandra

ALESSANDRA é viajante, fotógrafa, e bióloga. Largou tudo e ganhou tudo ao mudar de rumo em 2012 depois de defender um doutorado em biologia molecular na USP. Desde então vive, viaja e trabalha com foto e vídeo, sua verdadeira vocação. Ama viajar fora do esquema turistão, e gosta mesmo é de paisagem humana!

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6 Comentários

  1. Angela disse:

    Perfeito!!!

  2. Ale do céu como consegue transmitir tanto com tão poucas palavras.
    Eu tenho dificuldade em romper essa barreira, fico com medo de estar ultrapassando o limite e as vezes nem consegui pedir permissão e acabo desistindo da foto.
    Mas vou tentar mais. Porque um registro desse é muito valioso pela tanto de sentimento que carrega.
    Parabéns essa série é linda.

    • Alessandra Alessandra disse:

      Fico muito feliz que você goste dos textos, Matheus. É bom escrever com o coração, né?! :)! Mil beijos e obrigada pela visita!

  3. Gabi Pizzato disse:

    Linda foto e relato, Ale!!! Bj